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Leituras: Filhos do Éden – Herdeiros de Atlântida

Spohr estourou como um autor best seller, com seu romance de estreia, A Batalha do Apocalipse, alavancado por um excelente marketing virtual, e o boca a boca dos fãs. Não é comum um autor entrar na lista dos mais vendidos com o primeiro trabalho, ainda mais quando este pertence a um gênero específico, voltando a um público que é rotulado ridiculamente de “nerd” no Brasil. Apesar de algumas fraquezas literárias, A Batalha do Apocalipse é um livro épico, onde Sporh explorou todas as suas influências de cinema, HQ, RPG e animes para compor um cenário original e que não conquistou um grande público só pelo merchandising, mas sim pela ousada criatividade do autor e o carisma de seus personagens. Confesso que hoje, relendo ABdA, eu simpatizo muito mais com o livro do que na época em que escrevi minha resenha sobre ele. Não que eu retire minhas críticas, mas a história se tornou mais interessante em meu ponto de vista e vejo o livro como um marco na produção literária de gênero para o país, já que inspirou novos autores, mostrou o potencial do mercado e renovou o interesse nos escritores brasileiros. Grande  feito, e repito, com uma boa história.

Filhos do Éden – Livro 1: Herdeiros de Atlântida, já nasceu com a grande responsabilidade de se igualar a ABdA,  ou ao menos chegar próximo ao seu sucesso. Sendo um spinoff de ABda,  e não uma continuação ou prequel, o livro transcorre no mesmo universo, onde anjos de facções rivais duelam pelo controle do céu e destino da humanidade. Contudo, estamos bem longe do cenário principal da grande batalha, acompanhando uma trupe em missão na Terra. A trama se desenvolve em torno de Kaira, uma ishim que perdeu a memória e vive uma vida de mortal em nosso plano, até ser procurada pelos anjos Levih e Urakin, que a despertam para uma importante missão em andamento, que influencia diretamente a batalha travada no céu. O trio precisará buscar respostas para enigmas seculares, negociar com deuses pagãos, resistir a traições e intrigas, e viajar até o coração de uma civilização perdida para cumprir esta missão, lutando ou fugindo de inimigos poderosos.

O tom é muito distinto de ABda, em um plano terreno a trama corre com uma ação desenfreada, uma verdadeira jornada de aventura ininterrupta, sem a grandiosidade das batalhas travadas no livro que deu origem a este universo, mas com tiroteios, fugas automobilísticas, pancadaria e o uso de poderes místicos fantásticos. Entre os capítulos, temos alguns flashs de um passado distante e informações preciosas que complementam a narrativa de ABdA,  mesmo sem a participação dos protagonistas do mesmo (ok, temos algumas aparições relâmpago e citações), e uma exploração mais profunda dos desentendimentos entre os arcanjos antes do sisma.

Contudo, Filhos do Éden – Herdeiros de Atlântida é um trabalho muito inferior a ABdA, e sendo um filho deste, não acredito ser injusta a comparação. Como o foco narrativo é na ação, devo dizer que o objetivo foi alcançado, pois apesar dos muitos exageros aceitáveis, Spohr soube transformar em palavras seus mais intensos devaneios, o problema é que a ação repetitiva vai se tornando frugal, até afundar em uma monotonia enorme, quando o clímax já se torna previsível. Mas isso não é o que me incomoda no livro, posso conviver com as sequências alucinantes tão feliz quanto assisto a série Duro de Matar. Difícil mesmo foi tolerar os personagens…

Vejam bem, Ablon e Shamira, de ABda, cativaram o público pelo seu carisma e pelas várias facetas que apresentaram no desenrolar do livro. Já Kaira, Urakin e Levih não são nada mais do que fichas de personagens de RPG, presos a suas classes, limitações e essência, e em momento algum se mostram interessantes ou surpreendem o leitor, estão agrilhoadas a uma jaula construída pelo próprio autor. Em determinados momentos da leitura surgiram brechas incríveis para que os personagens brilhassem, rompendo esses grilhões e mostrando algo único, mas isso não acontece. Mesmo o rebelde Denyel, que surge como a salvação do livro, consegue romper com esse incômodo, pois se tornou tão estereotipado quanto seus companheiros, e seu tipo, cuidadosamente forjado, é tão artificial quanto a atuação fraca dos demais.

Que fique registrada uma opinião muito pessoal, que provavelmente não será bem vista por muitos, mas, corresponde ao que vejo no momento: muitos jovens autores estão trazendo para sua literatura uma bagagem de experiências como mestres em RPG, o que acho interessante, pois o jogo é focado em narrativas, porém, não deixa de ser um jogo, com regras e limitações que o tornam desafiador e justo. A literatura não é um jogo, é algo muito pessoal, tanto para o autor, como para o leitor. Criar personagens literários dentro dos padrões de criação de personagens de RPG é fechar portas para a imaginação, pois não existem limites e regras na escrita, não há fronteiras, uma missão pode ser abortada por algo menor ou maior, dependendo das decisões dos personagens, que podem agir de forma contraditória, sem a máscara de mocinho ou bandido, o que o tornará único e atraente. Claro, sou apenas um leitor, e minha opinião é expressa como tal, a escrita é tão livre que pode até optar-se por prendê-la, é a liberdade do autor, mas não me agrada nem um pouco.

A padronização de Urakin, “investindo como um touro”; Levih, “congelando diante da violência”; Denyel, “falando com ironia”; e Kaira, “buscando encontrar seu poder”; me deixou frustrado. Os vilões, caricatos e clichês, também não ajudaram muito.

Enfim, Filhos do Éden – Herdeiros de Atlântida, não é o que eu esperava depois do esforço criativo de ABda. Cogitei que a experiência tornaria Spohr mais ousado e objetivo, ainda que explorando o mesmo universo, mas vejo um retrocesso. O fato de ser um “Livro 1” não muda o cenário, já que a história se fecha no clímax, podendo ou não ser retomada, dependendo da decisão do autor de usar os mesmos personagens em um próximo trabalho (espero que não) ou trabalhar com novos elementos (isssso!). O fato é que Spohr tem talento, mas precisa encontrar sua própria voz, que está além de suas influências passadas; da Jornada do Herói, que ele tanto cita e segue a risca em ambos os trabalhos; e até mesmo de sua própria criação. Para vencer A Batalha do Apocalipse, que já é um clássico moderno de fantasia nacional, Spohr terá que lutar com suas próprias armas.

 
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Publicado por em 23/01/2012 em Fantasia

 

Maratona de Cinema 2011 : Considerações Finais

Bem, lá sei foi a maratona de cinema 2011, com 25 filmes resenhados em 30 dias. O que posso dizer para encerrar esse assunto é que, para o cinema, o ano passado foi bem irregular. Tivemos ótimos filmes de ação e aventura, e poucos filmes que impressionam pelo realismo e qualidade do roteiro, ou seja, a fantasia vence com larga vantagem. Claro que títulos importante lançados no final de dezembro ainda ficaram de fora, mas eles não podem mudar esta constatação.

Sendo assim, lá vai minha lista dos 5 melhores filmes desta maratona.
1 – Drive: pela atmosfera, surtos de violência e protagonista retrô.
2 – A Pele Que Habito: pelo roteiro e coragem.
3 – Meia Noite em Paris: pelo charme e elegância.
4 – Ataque ao Prédio: pela diversão.
5 – Rio: por mostrar um Brasil mais brasileiro.

E os 5 piores, sem nenhum comentários, pois já me irritaram o suficiente.

1 – Aterrorizada.
2 – Hobo With a Shotgun.
3 – Invasão do Mundo: A Batalha de Los Angeles.
4 – A Inquilina.
5 – Guerreiro.

E, agora, voltamos com nossa programação normal.

 
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Publicado por em 13/01/2012 em Cinema

 

Resenha: A Árvore da Vida

Maratona de cinema 2011 – Dia 25: A Árvore da Vida


Desde já aclamado como o filme do ano, este novo trabalho do cineasta Terrence Malick é extremamente autoral, fugindo de tudo o que o cinema reconhece como comercial e vendável, e o que muitos acham por bem definir como arte.

O diretor faz parte de um seleto grupo que trata com carinho e uma visão única as imagens que levam para a tela, assim como apostam em roteiros difíceis de se filmar e transpõem em lírica visual suas ideias para a audiência.

Seu Além da Linha Vermelha, de 1998, foi um choque agradável para aqueles que vivenciaram sua intensidade visual e emocional nas telas dos cinemas. Obra inigualável em força e harmonia, que tirou o diretor de seu ostracismo de 20 anos, lembrando ao mundo o quão talentoso ele é. Em O Novo Mundo, ele conseguiu repetir o feito, não com a mesma intensidade, mas com méritos visíveis. A Árvore da Vida leva o diretor a seu limite, com um roteiro existencialista, não linear e pontuado por clamores a uma entidade divina muda e ausente, em muitos momentos incômodo em sua beleza e grandiosidade.

Brad Pitt, em ótima atuação, é o pai de uma família americana nos anos 50. Linha dura, controlador e um tanto amargurado, leva os filhos na rédea curta, causando um mal estar na família e despertando a rebeldia do filho mais velho. Jessica Chastain, por outro lado, faz o papel da mãezona, mais presente e carinhosa, porto seguro para as crianças com sua delicadeza e submissão. Indo do passado para o presente, o filme narra a história da família pelos olhos de Jack, interpretado tanto por Hunter McCracken como por Sean Penn, e sua amargura diante do pai, o carinho pela mãe, o companheirismo e as brigas com os irmãos, a descoberta da miséria e o desespero por encontrar um sentindo na vida, principalmente após a morte de um dos irmãos.

É a voz de Jack que lança as questões fundamentais e faz colocações duras para e sobre Deus, negando e ainda assim procurando a entidade divina que poderia lhe conceder uma explicação para a vida e uma justificativa diante de suas perdas.

Malick consegue transformar qualquer imagem banal em algo grandioso, com uma fotografia e enquadramentos perfeitos. A vida comum e simples da família O’Brien se tornam muito mais interessantes e vivas pela lente do diretor. Desde uma imagem simples, como a mãe lavando os pés no jardim, e uma cena de tensão, com os dois irmãos brincando no campo com uma arma de brinquedo, merecem o mesmo cuidado estético por parte do diretor. E nisso, sem dúvida alguma, A Árvore da Vida tem muito a oferecer, na beleza e simplicidade, o que o transforma realmente em uma obra de arte.

A arte, contudo, tende a ser monótona, e a beleza se torna cansativa em sua própria perfeição. O simbolismo das imagens e principalmente dos intermináveis interlúdios com cenas da natureza conflitando com os clamores de Jack são incômodos e… bem, me desculpem os cultos, mas chatas pra danar. É ótimo ver um diretor talentoso extravasando em uma obra pessoal, mas acompanhar isso em seus momentos mais profundos, com uma lentidão exacerbada é de derrubar qualquer um da cadeira.

A Árvore da Vida é um filme belíssimo, como Melancholia, de Lars von Tiers, mas o expectador deve se preparar para essa viagem, mergulhar nela e, em certos momentos, suportá-la, tirando dela o que achar melhor para si. No fundo, uma ingenuidade e conservadorismo se destacam na obra, e isso, nem toda a arte do mundo consegue camuflar.

 
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Publicado por em 12/01/2012 em Cinema

 

Resenha: Gigantes de Aço

Maratona de cinema 2011: Dia 24 – Gigantes de Aço


Unir robôs gigantes e boxe soa, logo de cara, como uma grande sacada para atrair o público jovem para o cinema. E consegue, é claro. Reunir um astro e um jovem em ascensão, adicionando uma estrela da TV da qual todos estavam com saudade, faz o elenco parecer grandioso. Mesmo um diretor desajeitado como Shawn Levy (Uma Noite no Museu, A Pantera Cor de Rosa, Doze é Demais) e familiarizado mais com comédias de gosto duvidoso do que com a ação não poderia estragar o filme. E não estragou.
Charlie Kenton (o Wolverine) é o tipo de cara durão e solitário, que ganha a vida arrastando robôs defasados para cidades pequenas e participando de shows onde as latas velhas podem se esmurrar para a diversão do público. Um perdedor por natureza, acaba somando a suas preocupações o fato de ter que assumir, ainda que temporariamente, a guarda de seu filho Max (Dakota Goyo, o pequeno Thor) que ele nem conhece. Tendo em vista que pode lucrar algum dinheiro cuidando do garoto, Charlie o leva a um passeio, para que conheça sua realidade e, juntos, encontram o velho robô Atom, a última esperança do veterano de chegar a algum lugar em sua mal fadada carreira.
Evangeline Lilly (Lost) assume o papel de Bailey, a namorada e conselheira de Charlie, em um papel que mostra que na telona ela não é grande coisa, e deve mesmo ficar com papéis secundários no cinema. Kevin Durand (também de Lost) assume o papel do vilão fanfarrão, enquanto Karl Yune e Olga Fonda assumem os papéis de vilões arrogantes e bem vestidos.
O filme contém boas cenas de ação, tiradas engraçadas, um entrosamento perfeito entre Jackman e Goyo e uma história bem família, tudo certinho em seu lugar, em mais uma história do perdedor que vê sua vida mudar diante de um fator externo de motivação e parte para o tudo ou nada. Uma história de pai e filho, mas que chama mesmo a atenção pelos robôs e nada mais.
Atom é um dos robôs mais simpáticos já vistos no cinema. Não fala, não pensa, é ultrapassado, só obedece comandos, mas ainda sim tem um quê de humano. Obviamente, o robô serve como um espelho para Charlie. Ambos são subestimados e devem provar algo a si mesmos. Ambos estavam sozinhos e agora podem aproveitar e aprender com as novas companhias.
Não dava para esperar muita ousadia, levando-se em conta o público alvo para o qual o filme foi produzido. É divertido e esquecível, vale para uma matinê de domingo e nada mais. O roteiro foi baseado em um conto de Richard Matheson (Eu Sou a Lenda) e já havia sido adaptado para a TV. Mais inocente e ingênuo, Guerreiro de Aço vence pela despretensão.

 
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Publicado por em 11/01/2012 em Cinema

 

Resenha: A Pele Que Habito

Maratona de cinema 2011: Dia 23 – A Pele Que Habito

Almodóvar está em uma categoria de diretores onde seus trabalhos se tornam sucessos absolutos ou fracassos retumbantes. Diretor experiente, chegado a tramas que exploram as mais variadas formas da sexualidade e relacionamentos problemáticos, para não dizer doentios, Almodóvar conseguiu em sua nova parceria com Antonio Banderas se encontrar definitivamente. Não abriu mão das bizarrices que cercam sua filmografia, mas esbanjou maturidade e auto controle em um thriller perturbador.

Robert Ledgard (Banderas) é um famoso cirurgião plástico que convive com o tormento da morte de sua esposa, carbonizada em um acidente automobilístico. Para lidar com a situação, ele dedica sua vida e fortuna a criação de um novo tipo de pele sintética, mais resistente e quase invulnerável. Suas pesquisas o levam ao limite da ética científica e, sob seus cuidados, uma misteriosa mulher se oculta trancafiada em um quarto da grande mansão da família. O passado de Vera (Elena Anaya) se funde a outras tragédias na família de Ledgard, e quando esse passado é desvendado, ele se torna tão surpreendente quanto assustador.

Não é justo revelar muito, por isso, paro por aqui. O que vale dizer é que Almodóvar encontrou uma locação incrível, uma belíssima mansão, onde se desenrolam os fatos principais do filme, e a utilizou de maneira inteligente, enchendo-a de charme, mistérios e perigos, tornando o local um personagem tão importante, se não mais, do que qualquer outro.

Banderas sempre será um canastrão, mas aqui sua atuação mais contida, sem caras e bocas, mostra que também amadureceu. Está livre da condição de símbolo sexual latino, a idade impôs isso a ele, e agora começa a atuar de verdade, e surpreende no papel do médico atormentado. Sua frieza e elegância o colocam no hall da fama ao lado de outros simpáticos psicopatas, como Hannibal Lecter, mantendo-se, é claro, as devidas proporções.

Elena Anaya, com sua frágil beleza, foi um tremendo acerto para o elenco. Como atriz também possui suas limitações, mas sabe como usar suas formas para cativar e dar realismo a uma importante personagem, cujas expressões corporais são mais importantes que os diálogos.

O roteiro do próprio Almodóvar, baseado no romance “Tarantula” de Thierry Jonquet (lançado no Brasil pela Editora Record e que, infelizmente, não li) é um espetáculo a parte. Inteligente, perturbador, abrangente e contraditório em si próprio, um paradoxo de perversidade e libertação, não deixará ninguém sair do cinema incólume.

A liberdade criativa de Almodóvar, só possível fora do âmbito hollywoodiano, produziu uma pequena joia do cinema em 2011, para ver e se assustar, sem máscaras… ou não.

 
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Publicado por em 10/01/2012 em Cinema

 

Resenha: Guerreiro

Maratona de cinema 2011 – Dia 22: Guerreiro

Essa é versão 2011 de Rocky – Um Lutador, misturado com um tanto de novela mexicana. O filme causou um certo alvoroço entre a molecada, que achou sensacional poder ver um pouco de MMA no cinema, com personagens fodões procurando pela redenção e motivos nobres para descer o braço em seus oponentes. Mas a verdade é que o filme é um melodrama de segunda categoria.

Tommy Conlon (Tom Hardy) é um rapaz misterioso que volta para a casa de seu pai depois de anos ausente, ele guarda um rancor muito grande do velho Paddy (Nick Nolte), mas precisa dele como treinador para seu objetivo de disputas no MMA. Paddy já foi um grande treinador, mas acabou com sua família devido à violência e o alcoolismo, e nunca foi perdoado pelos filhos. Mais ajustado, Brendan Conlon (Joel Edgerton) tem sua família e um monte dívidas para pagar, ganha a vida como professor de Física, mas usa as horas vagas em lutas clandestinas, sem revelar esse segredo para sua esposa Tess (Jennifer Morrison).

Tommy tem uma ascensão rápida, já que tinha treinamento anterior em luta greco romana, mostra uma animalidade no ringue e se aproveita da fama súbita obtida graças a um vídeo postado no Youtube. O caminho de Brendan é mais complicado, ele perde o emprego como professor quando suas atividades como lutador chegam a supervisão de ensino, e não tem outra escolha a não ser adotar o MMA como sua principal função para não perder sua casa. Apesar da diferença, os caminhos de ambos apontam para Sparta, um mega evento de MMA que reúne os melhores lutadores do mundo mais os dois. E aí fica fácil saber como o filme vai terminar.

Em partes. Primeiro o roteiro: que raio de história é essa? Tommy passou anos longe dos ringues e depois de empurrar uns pneus de caminhão na subida está pronto para derrubar em poucos segundos qualquer um que aparecer na sua frente. Parece plausível para você? E Brendan, que nunca foi nada além de um competidor de segunda categoria, subitamente, se transforma no Anderson Silva, graças à música clássica (não pergunte, assista). E esses dois pés rapados, sem patrocínio e sem visibilidade acabam num torneio com os melhores do mundo. Certo? Ceeeeerto. Para piorar, esse desfecho já aguardado desde o primeiro terço do filme é de uma falta de criatividade de estourar a cabeça de qualquer um. Isso, claro, me atendo a trama principal. No background, as disputas e os rancores familiares podiam ganhar um certo destaque, não fosse o comodismo do roteiro de seguir o caminho mais fácil de melodrama e uma lenga lenga vergonhosa, que nem a ótima atuação de Nick Nolte salva.

Segundo, a direção: um filme cuja temática é a disputa de lutas no MMA que não tem sangue? O que é isso? O UFC versão Disney? Os lutadores aplicam golpes fantásticos que você jamais vai ver numa luta do UFC, batem com fúria e precisão, e a câmera está sempre no pior ângulo possível, fora do cage, para disfarçar a coreografia preguiçosa. Tsc…

Como se tudo isso não bastasse, aquele desfecho com “eu te amo…“ é para chutar as bolas da audiência. Voltem para as novelas.

 
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Publicado por em 09/01/2012 em Cinema

 

Resenha: Premonição 5

Maratona de cinema 2011: Dia 21 – Premonição 5

Assim como Jogos Mortais, a série Premonição tem como única função única função mostrar formas criativas de se arrancar vidas humanas. A diferença está no tom empregado. Aqui, o humor negro predomina, e enquanto o sadismo rola na tela, é impossível não soltar gargalhadas nervosas com os incidentes absurdos e exagerados que se sucedem enquanto os personagens vão morrendo.

Neste quinto episódio, o diretor Steven Quale e o roteirista Eric Heisserer não abandonam a fórmula já consagrada da série. Um personagem tem uma visão pouco antes de um terrível acidente acontecer, neste caso, o desmoronamento de uma ponte, onde ele vê seus amigos e ele próprio perder a vida. Ao despertar desta premonição, usa o tempo a seu favor para se salvar e a outros integrantes do grupo. Contudo, os sortudos terão suas vidas em risco, já que “não é possível enganar a morte”.

Claro, o roteiro é um fiasco, e não passa de um pretexto para as estripulias sangrentas que vem a seguir. Se você procura algo mais sério ou que faça o mínimo de sentido, pare por aqui, esse filme não é para você.

Já se você quer uma boa dose de mutilações, decapitações e ossos que se dobram e quebram como se fossem feitos de borracha, sinta-se em casa, todos os ingredientes estão aqui.

O único problema deste tipo de filme, que segue fórmulas bem sucedidas ao pé da letra com o mínimo de acréscimos a sua base original, como existe esse adendo as regras aqui, é que eles se tornam previsíveis, e isso tira muito da diversão. Outro fator negativo é que lá pelas tantas enjoa. Eu costumo assistir filmes de cabo a rabo, sem pausas a não ser para acender um ou outro cigarro, dependendo do tédio que me abate (crianças, não façam isso em casa), mas no caso de Premonição 5, assisti o filme em várias etapas, como capítulos separados. E isso não fez diferença nenhuma. É praticamente um vídeo clip com dose máxima de crueldade.

Epa, mas então o filme não era pra mim? Claro que era, mas esse é a minha forma de encarar a produção, o filme não é sério, eu não o levo a sério e assisto de qualquer jeito, e isso me diverte. E, se não for para me divertir, nem assistiria.

É melhor do que alguns outros episódio, mas algumas das sentenças não são tão impactantes ou criativas, acho que a imaginação do pessoal já está esgotando. Tem uma reviravolta lá pelo final e… ufa, terminou. Sorriso na cara, hora de limpar o cinzeiro.

Assista enquanto espera por alguém ou alguma coisa, você pausa sem culpa.

 
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Publicado por em 06/01/2012 em Cinema

 
 
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