Maratona de cinema 2011: Dia 08 – Aterrorizada
Que triste este filme. Vista em retrospecto, a carreira de John Carpenter, diretor de grandes sucessos cults como Assalto à 13ª DP (1976), Halloween (1978), Fuga de NY (1981), O Enigma de Outro Mundo (1982), Os Aventureiros do Bairro Proibido (1986) e À Beira da Loucura (1994) já vinha mostrando um declínio, iniciado em Vampiros de John Carpenter (1998) e no horrível Fantasmas de Marte (2001). Contudo, nem o mais incrédulo dos cinéfilos poderia imaginar que o diretor chegaria ao ponto de realizar um filme tão fraco e deslocado no tempo como Aterrorizada.
A história se passa nos anos 60, onde uma garota sem memória é encontrada após incendiar, aparentemente sem motivo algum, uma fazenda. Enviada a um hospital psiquiátrico, ela conhece as demais residentes e começa a ter visões estranhas. Logo, se envolve na história do fantasma de uma ex-interna e de como ela atormenta as residentes atuais.
Fica até difícil começar a criticar o filme, tantas são as suas falhas, e isso não me agrada muito, pois sou fã dos trabalhos antigos de Carpentes, mas, vamos lá. Primeiro, não há elenco nesse filme, e chamar o grupo de garotas que deslizam diante das câmeras de atrizes é ofender essa categoria pessoal da forma mais perversa possível. Péssimas, sem o menor talento, incapazes de pronunciar um único diálogo com naturalidade, artificiais até nos mais simples movimentos, parecem marionetes manipuladas por um fantoche com graves problemas de coordenação. Irritam desde o primeiro momento e continuam assim até o desfecho, sem salvação nesse quesito.
A fotografia e produção são pobres, tirando as roupas, você jamais diria ser um filme que se passa nos anos 60. Não há clima ou ambiente, as imagens se sucedem sem qualquer elegância ou unidade e fica a dúvida se o filme teria sido produzido diretamente para a TV, pois uma falta de estilo tão grande deve incomodar muito mais no cinema do que na sala de casa.
Por fim, temos a tal história… caras, ela não faz o menor sentido, é absurda do início ao fim, um arremedo de roteiro que tenta assustar e provoca risos envergonhados. É muito constrangedor ver uma garota arrombar uma porta em 5 segundos usando uma faca, derrubar uma enfermeira com o triplo do seu peso com um soco, se esconder no local mais óbvio de uma sala e não ser encontrada e, pasmem, matar um fantasma com um machado. É, falei, é assim que termina as perseguições insossas do filme, mas o diretor ainda aposta numa reviravolta que torna tudo ainda mais ridículo.
Em suma, um dos piores filmes que assisti esse ano, e olha que assisto muitos filmes ruins e crio simpatia com grande parte deles. Contudo, Aterrorizada é uma vergonha e mancha definitiva na carreira de Carpenter.
Uma coisa de engraçada pelo menos eu encontrei: o filme está em várias listas de “melhor horror do ano” em sites por aí. Isso sim é aterrorizante!


Edson Lara
20/12/2011 at 1:29 PM
Olá! Peço licença pra dar um pitaco.
Adoro filmes de suspense e terror e assim como você diz, também já assiti muitos filmes ruins, mas esse é muuuuito ruim, fico pensando se rEalmente foi Carpenter que dirigiu, ou ele “alugou” o nome pra algum curioso qualquer.
Por último e o final do filme ?
SPOILER:
Dupla personalidade????
jrcazeri
20/12/2011 at 6:44 PM
Edson, fique a vontade para dar pitaco, o blog é um convite para isso.
SPOILER: múltiplas personalidades, o que é uma saída óbvia em filmes passados neste cenário e, claro, um sustinho no final com o retorno de uma delas no pós-cura. Mais previsível, impossível. Não dou teorias da conspiração, mas o que foi cogitou não é de se ignorar.
Abraço.