Maratona de cinema 2011: Dia 10 – Ataque ao Prédio
Ah, o cinema inglês! Quando tudo o que você vindo dos EUA parece fortemente padronizado e pasteurizado para todos os gostos e voltado para fórmulas seguras e enfadonhas, surge uma brisa despretensiosa, ousada em sua essência, mas que não precisa se fingir de “cabeça” com ideias maniqueístas ou críticas sociais desinformadas. E, assim, são inteligentes, dinâmicos e bem divertidos.
Ataque ao Prédio é dirigido por um estreante, Joe Cornish, que veio da TV e não se mostra nem um pouco intimidado ao conduzir seu primeiro filme. Nele, uma gangue de adolescentes do subúrbio pobre londrino, faz uma vítima ao assaltar Sam (a bela Jodie Whittaker), mas suas ações são interrompidas quando uma estranha criatura cai dos céus e ataca o líder do grupo, Moses (John Boyega em boa atuação). Em questão de minutos, a molecada persegue o alien, aplica nele um corretivo e carregam o corpo como um troféu para o prédio de apartamentos onde vivem.
Diz aí, é ou não é diferente dos filmes de invasão alienígena que você já assistiu por aí? Não tem exército ou heróis hiper patrióticos dispostos a dar a vida pela liberdade e o american way of life. São só garotos que não levam desaforo para casa dando um esfrega num bicho feio e fazendo a festa com seu corpo. Sem saber o que fazer com a criatura, procuram a casa do traficante Ron (Nick Frost, de Paul, ótimo como sempre) e deixam o alien por lá, decorando a estufa de marijuana do apartamento, com a devida autorização do chefão local Hi-Hatz, já pensando em como fazer dinheiro vendendo a informação de uma criatura que caiu dos céus para os jornais.
As coisas mudam de figura quando outras criaturas, muito maiores e sanguinárias, aparecem invadindo o bairro e perseguindo a gangue. Aí amigos se tornam inimigos, pernas pra que te quero e vítimas e bandidos se unem para salvar a própria pele.
Não é grande coisa, admito, mas o mérito do filme está naquele clima de subúrbio, nas tiradas inspiradas proporcionadas por Ron e seu cliente Brewis (Luke Treadaway), as suposições sobre a origem das criaturas e, mais ainda, o desejo de dois pirralhos de se enturmar com a gangue local e fazer parte da malandragem. Algumas cenas são muito engraçadas, dentro do estilo britânico de humor, que dispensa fluídos corporais e gases para fazer rir, e aposta mais no absurdo de situações e reações. Para isso funcionar, foi selecionado um elenco inexperiente, mas bem conduzido e eficiente, que não deixa nada e mostra para os astros apáticos que dá pra se divertir e criar personagens interessantes em filmes de ação e aventura modernos.
Os efeitos especiais são econômicos, mas funcionais. O roteiro não tenta ser nada além do necessário e reserva aos diálogos seus trunfos. O resultado é um filme muito interessante, com um arzinho de anos 80, sem heróis ou mocinhos, que não menospreza a paciência ou inteligência do espectador.
Gorilla wolf mothafuckas!

