Maratona de cinema 2011: Dia 15 – Drive
O quão “cool” um filme pode ser sem cair no ridículo? E quão realmente interessante um filme “cool” é, passados dois ou três dias que você o viu? Drive, dirigido por Nicolas Winding Refn, é obviamente uma obra minuciosamente criada para ser “cool” diante dos olhos do espectador. A fotografia que remete ao noir em ambientes minimalistas, o protagonista robotizado, a trilha sonora baseada na sonoridade dos anos 80, perseguições automobilísticas filmadas com uma precisão cirúrgica, tomadas em câmera lenta, violência surpreendente e super realista são os ingredientes que, juntos, prendem e hipnotizam a plateia. Mas este é um bom filme?
Ryan Gosling (Entre Segredos e Mentiras) interpreta um dublê de filmes de ação, que também trabalha em uma oficina mecânica e, durante a noite, atua como motorista em assaltos na cidade de Los Angeles. Sua habilidade fica evidente logo na sequência de abertura, onde exibe não só uma frieza absoluta na execução de manobras arriscadas para escapar da polícia, mas também inteligência para despistá-la. O personagem é totalmente desprovido de emoções, controlado, seguro e fortemente ligado aos seus dotes com os veículos que conduz.
A rotina do piloto começa a mudar quando ele conhece Irene (Carey Mulligan, de Não Me Abandone Jamais), a vizinha do apartamento ao lado e seu filho Benício. A fragilidade de Irene atrai o rapaz, que se aproxima da moça, mesmo ela não estando livre por muito tempo,pois seu marido sairá da prisão em breve. Junto a Irene algumas emoções, ainda que contidas, começam a despontar na personalidade do piloto, timidamente.
Som de derrapada… peraí, mas esse não é um filme de ação?
Sim e não. Com a saída de Standard Gabriel da prisão, criminosos vão cobrar uma dívida do ex detento, e isso colocará Irene e seu filho em perigo, o que exigirá a participação do piloto em um plano para livrá-los da ameaça. E aí temos mais perseguições automobilísticas, uma bolsa com um milhão de dólares, mafiosos e cenas brutais de violência rolando na tela. Essas são, porém, apenas consequências do relacionamento entre o piloto e Irene, já que a base da história é fundamentada no frio romance entre os dois.
Em resumo, esse é um filme de ação, mas não aquele tipo destinado a adolescentes que buscam ação desenfreada e respostas fáceis. A leitura da ação em Drive é madura e visceral, belamente exibida na tela, com a trilha sonora complementado a narrativa visual. Com isso, mesmo sem passado ou futuro, o protagonista se torna simpático, suas reações violentas são fundamentadas em sentimentos que ele não é capaz de expressar.
Respondendo a pergunta inicial: Drive é um bom filme, talvez um dos melhores de 2011, que foi bastante criticado por uma mídia que exige um posicionamento entre o mainstream ou alternativo. E ele não é nenhum dos dois e ambos. É ação, é romance, é cool e retrô.
E muito bem vindo.

