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Resenha: Meia-Noite em Paris

02 jan

Maratona de cinema 2011: Dia 17 – Meia-Noite em Paris

O cinema de Woody Allen não é para todos. Seus personagens incomuns, notadamente seus alter egos, a verborragia e a temática não são de grande ativo para quem procura aquela “grandiosidade” vazia dos blockbusters. Allen, apesar de reconhecido mundialmente como o grande diretor que é, nunca tirou os pés da ala alternativa, com trabalhos autorais, que vão desde viagens difíceis de se seguir até comédias mais suaves. Meia-Noite em Paris, seu último trabalho, pertence ao segundo grupo.

Owen Wilson, em uma atuação simpática e elegante, interpreta Gil, um escritor americano de passagem por Paris, onde busca inspiração em seus ídolos do passado para firmar sua vocação. Está em um momento turbulento, com o casamento se aproximando, uma mudança no rumo profissional e sentindo na pele a antipatia dos pais da noiva, que como ela, não aceitam bem essa sua busca por um sentindo em seu trabalho. Como se isso não bastasse, ele ainda tem que aguentar um amigo de seu noiva, um pseudo-especialista em tudo que encontra (Michael Sheen, inspiradíssimo).

Tentando fugir dessas complicações, Gil senta-se em uma noite qualquer numa esquina de Paris e, ao soar das doze badaladas, recebe a visita de Scott e Zelda Fitzgerald, que o conduzem a uma viagem no tempo, diretamente para a Paris dos anos 20, onde Gil finalmente poderá entrar em contato com seus ídolos e viver um pouco do que ele acredita ser a melhor época para ter vivido. Além do casal, ele se verá diante de Cole Porter, Gertrude Stein, Pablo Picasso, Luis Buñuel e Ernest Hemingway (Corey Stoll, em um grande momento). Se encontrará com Adriana, uma musa da Geração Perdida que vai abalar seu casamento, sentirá na pele o que é buscar o seu tempo ideal e trazer para a realidade todas as nostalgias que o assaltam.

O filme é belíssimo, tanto no retrato contemporâneo de Paris e suas paisagens, em um trabalho de fotografia fabuloso, como no retrato dos anos 20, apresentado com muita elegância e vivacidade. Allen sempre teve um dom para atrair um elenco formidável para seus filmes e tirar o melhor de cada ator e atriz, e repete o feito neste longa. Com incrível sensibilidade, sem nunca soar piegas, bom gosto e leveza, unindo o melhor da comédia com pitadas românticas, o diretor fez o seu melhor filme em anos.

Fãs de cinema, literatura e história, ou aqueles apenas interessados em uma história cativante e divertida, precisam assistir. Uma pérola.

 
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Publicado por em 02/01/2012 em Cinema

 

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