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Resenha: Guerreiro

09 jan

Maratona de cinema 2011 – Dia 22: Guerreiro

Essa é versão 2011 de Rocky – Um Lutador, misturado com um tanto de novela mexicana. O filme causou um certo alvoroço entre a molecada, que achou sensacional poder ver um pouco de MMA no cinema, com personagens fodões procurando pela redenção e motivos nobres para descer o braço em seus oponentes. Mas a verdade é que o filme é um melodrama de segunda categoria.

Tommy Conlon (Tom Hardy) é um rapaz misterioso que volta para a casa de seu pai depois de anos ausente, ele guarda um rancor muito grande do velho Paddy (Nick Nolte), mas precisa dele como treinador para seu objetivo de disputas no MMA. Paddy já foi um grande treinador, mas acabou com sua família devido à violência e o alcoolismo, e nunca foi perdoado pelos filhos. Mais ajustado, Brendan Conlon (Joel Edgerton) tem sua família e um monte dívidas para pagar, ganha a vida como professor de Física, mas usa as horas vagas em lutas clandestinas, sem revelar esse segredo para sua esposa Tess (Jennifer Morrison).

Tommy tem uma ascensão rápida, já que tinha treinamento anterior em luta greco romana, mostra uma animalidade no ringue e se aproveita da fama súbita obtida graças a um vídeo postado no Youtube. O caminho de Brendan é mais complicado, ele perde o emprego como professor quando suas atividades como lutador chegam a supervisão de ensino, e não tem outra escolha a não ser adotar o MMA como sua principal função para não perder sua casa. Apesar da diferença, os caminhos de ambos apontam para Sparta, um mega evento de MMA que reúne os melhores lutadores do mundo mais os dois. E aí fica fácil saber como o filme vai terminar.

Em partes. Primeiro o roteiro: que raio de história é essa? Tommy passou anos longe dos ringues e depois de empurrar uns pneus de caminhão na subida está pronto para derrubar em poucos segundos qualquer um que aparecer na sua frente. Parece plausível para você? E Brendan, que nunca foi nada além de um competidor de segunda categoria, subitamente, se transforma no Anderson Silva, graças à música clássica (não pergunte, assista). E esses dois pés rapados, sem patrocínio e sem visibilidade acabam num torneio com os melhores do mundo. Certo? Ceeeeerto. Para piorar, esse desfecho já aguardado desde o primeiro terço do filme é de uma falta de criatividade de estourar a cabeça de qualquer um. Isso, claro, me atendo a trama principal. No background, as disputas e os rancores familiares podiam ganhar um certo destaque, não fosse o comodismo do roteiro de seguir o caminho mais fácil de melodrama e uma lenga lenga vergonhosa, que nem a ótima atuação de Nick Nolte salva.

Segundo, a direção: um filme cuja temática é a disputa de lutas no MMA que não tem sangue? O que é isso? O UFC versão Disney? Os lutadores aplicam golpes fantásticos que você jamais vai ver numa luta do UFC, batem com fúria e precisão, e a câmera está sempre no pior ângulo possível, fora do cage, para disfarçar a coreografia preguiçosa. Tsc…

Como se tudo isso não bastasse, aquele desfecho com “eu te amo…“ é para chutar as bolas da audiência. Voltem para as novelas.

 
2 Comments

Publicado por em 09/01/2012 em Cinema

 

2 respostas para Resenha: Guerreiro

  1. Sylvia

    13/01/2012 at 11:18 PM

    Engraçado que você dizer que o filme é péssimo e colocar Ataque Ao Prédio como um dos melhores. IMDb tá aí, Rotten Tomatos também, dá uma olhada lá.

    As lutas não tem sangue pra poder diminuir a classificação do filme e poder ser um filme pra uma família poder assistir.

    Acho que você não entendeu também a proposta do filme, que não era ser um filme de porradaria gratuita como você esperava, as lutas têm um que de sofrimento, eles estão alí por um motivo. A última luta, o desfecho, tudo é ensaiado para não ser apenas uma luta, mas também que tenha um significado, há muita mágoa entre os dois e na luta é como se eles tirassem tudo a limpo, é como uma conversa, é um despejando todo o rancor que sente pelo outro (cada um com seus próprios motivos muito plausíveis). E assim, no final, um tem que “terminar” com o outro, mesmo não querendo. Por isso os “me desculpe”. Os “eu te amo” é o grand finale, é quando tudo termina e eles se perdoam finalmente.

    Infelizmente, acho que você não conseguiu captar a ideia real do filme.

     
    • jrcazeri

      14/01/2012 at 4:21 PM

      Sylvia, obrigado por seu comentário e pela visita ao blog.

      Bom, eu não me importo com o que diz o IMDB e afins, não é pq uma maioria achou um filme legal que vou concordar, e essa é uma resenha expressando uma opinião bem pessoal. Eu entendi a temática do filme da mesma forma que você expressou, só achei a execução piegas, pobre e apelativa, com mais melodrama do que drama. Mas, cada um tem a sua interpretação e essa diversidade de gostos é que torna tudo mais interessante.

      E, realmente, acho o absurdo do “gorilla wolf mothafucka” do Ataque ao Prédio mais sincero que os sentimentos de Warrior. ;)

       

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