Maratona de cinema 2011: Dia 24 – Gigantes de Aço

Unir robôs gigantes e boxe soa, logo de cara, como uma grande sacada para atrair o público jovem para o cinema. E consegue, é claro. Reunir um astro e um jovem em ascensão, adicionando uma estrela da TV da qual todos estavam com saudade, faz o elenco parecer grandioso. Mesmo um diretor desajeitado como Shawn Levy (Uma Noite no Museu, A Pantera Cor de Rosa, Doze é Demais) e familiarizado mais com comédias de gosto duvidoso do que com a ação não poderia estragar o filme. E não estragou.
Charlie Kenton (o Wolverine) é o tipo de cara durão e solitário, que ganha a vida arrastando robôs defasados para cidades pequenas e participando de shows onde as latas velhas podem se esmurrar para a diversão do público. Um perdedor por natureza, acaba somando a suas preocupações o fato de ter que assumir, ainda que temporariamente, a guarda de seu filho Max (Dakota Goyo, o pequeno Thor) que ele nem conhece. Tendo em vista que pode lucrar algum dinheiro cuidando do garoto, Charlie o leva a um passeio, para que conheça sua realidade e, juntos, encontram o velho robô Atom, a última esperança do veterano de chegar a algum lugar em sua mal fadada carreira.
Evangeline Lilly (Lost) assume o papel de Bailey, a namorada e conselheira de Charlie, em um papel que mostra que na telona ela não é grande coisa, e deve mesmo ficar com papéis secundários no cinema. Kevin Durand (também de Lost) assume o papel do vilão fanfarrão, enquanto Karl Yune e Olga Fonda assumem os papéis de vilões arrogantes e bem vestidos.
O filme contém boas cenas de ação, tiradas engraçadas, um entrosamento perfeito entre Jackman e Goyo e uma história bem família, tudo certinho em seu lugar, em mais uma história do perdedor que vê sua vida mudar diante de um fator externo de motivação e parte para o tudo ou nada. Uma história de pai e filho, mas que chama mesmo a atenção pelos robôs e nada mais.
Atom é um dos robôs mais simpáticos já vistos no cinema. Não fala, não pensa, é ultrapassado, só obedece comandos, mas ainda sim tem um quê de humano. Obviamente, o robô serve como um espelho para Charlie. Ambos são subestimados e devem provar algo a si mesmos. Ambos estavam sozinhos e agora podem aproveitar e aprender com as novas companhias.
Não dava para esperar muita ousadia, levando-se em conta o público alvo para o qual o filme foi produzido. É divertido e esquecível, vale para uma matinê de domingo e nada mais. O roteiro foi baseado em um conto de Richard Matheson (Eu Sou a Lenda) e já havia sido adaptado para a TV. Mais inocente e ingênuo, Guerreiro de Aço vence pela despretensão.
