Maratona de cinema 2011 – Dia 25: A Árvore da Vida

Desde já aclamado como o filme do ano, este novo trabalho do cineasta Terrence Malick é extremamente autoral, fugindo de tudo o que o cinema reconhece como comercial e vendável, e o que muitos acham por bem definir como arte.
O diretor faz parte de um seleto grupo que trata com carinho e uma visão única as imagens que levam para a tela, assim como apostam em roteiros difíceis de se filmar e transpõem em lírica visual suas ideias para a audiência.
Seu Além da Linha Vermelha, de 1998, foi um choque agradável para aqueles que vivenciaram sua intensidade visual e emocional nas telas dos cinemas. Obra inigualável em força e harmonia, que tirou o diretor de seu ostracismo de 20 anos, lembrando ao mundo o quão talentoso ele é. Em O Novo Mundo, ele conseguiu repetir o feito, não com a mesma intensidade, mas com méritos visíveis. A Árvore da Vida leva o diretor a seu limite, com um roteiro existencialista, não linear e pontuado por clamores a uma entidade divina muda e ausente, em muitos momentos incômodo em sua beleza e grandiosidade.
Brad Pitt, em ótima atuação, é o pai de uma família americana nos anos 50. Linha dura, controlador e um tanto amargurado, leva os filhos na rédea curta, causando um mal estar na família e despertando a rebeldia do filho mais velho. Jessica Chastain, por outro lado, faz o papel da mãezona, mais presente e carinhosa, porto seguro para as crianças com sua delicadeza e submissão. Indo do passado para o presente, o filme narra a história da família pelos olhos de Jack, interpretado tanto por Hunter McCracken como por Sean Penn, e sua amargura diante do pai, o carinho pela mãe, o companheirismo e as brigas com os irmãos, a descoberta da miséria e o desespero por encontrar um sentindo na vida, principalmente após a morte de um dos irmãos.
É a voz de Jack que lança as questões fundamentais e faz colocações duras para e sobre Deus, negando e ainda assim procurando a entidade divina que poderia lhe conceder uma explicação para a vida e uma justificativa diante de suas perdas.
Malick consegue transformar qualquer imagem banal em algo grandioso, com uma fotografia e enquadramentos perfeitos. A vida comum e simples da família O’Brien se tornam muito mais interessantes e vivas pela lente do diretor. Desde uma imagem simples, como a mãe lavando os pés no jardim, e uma cena de tensão, com os dois irmãos brincando no campo com uma arma de brinquedo, merecem o mesmo cuidado estético por parte do diretor. E nisso, sem dúvida alguma, A Árvore da Vida tem muito a oferecer, na beleza e simplicidade, o que o transforma realmente em uma obra de arte.
A arte, contudo, tende a ser monótona, e a beleza se torna cansativa em sua própria perfeição. O simbolismo das imagens e principalmente dos intermináveis interlúdios com cenas da natureza conflitando com os clamores de Jack são incômodos e… bem, me desculpem os cultos, mas chatas pra danar. É ótimo ver um diretor talentoso extravasando em uma obra pessoal, mas acompanhar isso em seus momentos mais profundos, com uma lentidão exacerbada é de derrubar qualquer um da cadeira.
A Árvore da Vida é um filme belíssimo, como Melancholia, de Lars von Tiers, mas o expectador deve se preparar para essa viagem, mergulhar nela e, em certos momentos, suportá-la, tirando dela o que achar melhor para si. No fundo, uma ingenuidade e conservadorismo se destacam na obra, e isso, nem toda a arte do mundo consegue camuflar.

Glei
15/01/2012 at 6:59 PM
Realmente tem que entrar nela e suportar,eu assisti uma hora de filme e desisti…não gostei….